Perdendo tempo com merdas…

Emobrazuca ou Rock de Playboy?

No ano de 2000 é lançado o primeiro cd independente do CPM22, chamado “A alguns Quilômetros de lugar algum”. Atualmente, o CPM22 é visto como um dos “precursores” da moda emo. Entretanto, naquele momento, a banda era vista como de Hardcore Melódico (famoso hcm) e não emo. O rótulo emo vai fortalecer-se só depois.
A partir de aproximadamente 2003, temos um crescimento de um “novo estilo” na cena underground carioca. Bandas como Emo., For Fun e Dibob começam a fazer cada vez mais shows, e um público “diferente” começa a comparecer ao circuito alternativo. Com um poder aquisitivo maior e um estilo de vida não muito comum a cena, muitos fans desse “novo estilo” poderiam ser encontrados em qualquer noitada de axé ou funk.
É no ano de 2003 que o Emo. lança seu primeiro cd-demo. É também neste ano que foi lançado o badalado “Quarto dos Livros”, da banda gaúcha Fresno. Mas voltemos ao Rio. Este estilo da cena carioca tinha como peculiaridade letras que retratavam o cotidiano (inclusive com gírias) de um grupo social em específico: os playboys. Denominação que ficou famosa após o hit de Gabriel, O pensador, o playboy é uma antiga gíria carioca que delimita os famosos filhinhos de papai. Estes, além de serem normalmente de classe média alta, tem um estilo de vida extremamente fetichizado e consumista. O importante aqui é ter roupas de marcas, ir nas festas mais caras, colecionar o maior número de mulheres possível e se achar o máximo. Este grupo social nunca foi comum na “cena underground”. Muito pelo contrário, a cena alternativa sempre tentou construir um espaço diferenciado, no qual prevalecesse o verdadeiro gosto pela música e não apenas utiliza-la de forma pragmática.
Entretanto, isso foi mudando com o tempo. A primeira aposta das “majors” nesse novo mercado foi o “Dibob”, lançando seu CD em 2004, pela BMG. Segundo o próprio Dibob, a melhor definição para seu som é “playsson”. Passado o primeiro teste, novas bandas são elencadas pelas majors em 2005, como o For Fun e Ramirez. É importante enfatizar que todas as três bandas são do Rio de Janeiro.
O que realmente aconteceu é que, com o encarecimento dos CD`s devido à crise da indústria fonográfica, todo o mercado, inclusive o rock, está migrando para setores das classes médias altas, único capaz de comprar CD´s com tal preço. Ou seja, o crescimento do fenômeno emo é apenas a mais nova alternativa das gravadoras multinacionais para superarem sua crise. E para adequar-se a esta camada social, um rock que seja condizente a ela, com suas gírias e que descreva seu cotidiano. Os problemas sociais e letras com maior profundidade são deixadas de lado, agora o interessante é falar de festas, praias e beijo na boca. Nesse sentido, de forma contraditória, mesmo o Fresno sendo atualmente a maior expressão da moda emo no underground nacional, as apostas iniciais das gravadoras grandes foram feitas nas bandas que mais se adequaram ao público alvo diretamente.
Não queremos aqui definir que tal estilo é ou não legítimo. Cada um que toque o que quiser em sua banda. Mas para além das vontades pessoais e dos sonhos verdadeiros de cada um de tocar o estilo musical que quiser, existe um projeto das gravadoras multinacionais para superar sua crise. Minando no germe a cena alternativa, oprimindo-a por dentro, para que esta não tome o espaço com seus MP3´s e fotolog´s. Um rock cada vez mais descartável e vendável. Tanto dentro quanto fora do underground. E quem não tem colírio, que use óculos escuros.

Rodrigo Teixeira

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Um comentário sobre “Perdendo tempo com merdas…

  1. Percebemos que o autor tentou falar bonito, mas pra mim, nao conseguiu!

    >> meu, as gravadoras de algum jeito tem que se reerguer da pré falência… se os emos se proliferam assustadoramente, é isso que as gravadoras têm que fazer mesmo!
    Mas, nenhuma dessas bandas se denominam EMO, assim como os proprios EMOS nao aceitam serem chamados de EMOS!!! Esse sim é o problema!

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